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CONFESSO E PEÇO

Senhor, Confesso que as contingências da vida me empurram para "seguir com a vida". Confesso que não ter tido a oportunidade de fazer quarentena me leva a pensar que está tudo bem sair para passear. Confesso que tenho dificuldade, nesse momento, de ter percepção correta da tragédia que assola o Brasil. Confesso que estou cansado de demonstrar indignação entre aqueles que já estão indignados e aqueles que nunca ficarão. Confesso que a sensação de impotência às vezes é tão grande que é melhor desviar o pensamento. Confesso que estou entre a oração de Reinhold Niebuhr, "Senhor, conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas" E o poema de Bertolt Brecht, "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangre...

SOBRE TOLERÂNCIA

Sou militar. Por incrível que possa parecer para alguns, a nossa mesa do "rancho" na hora do almoço é um dos lugares mais democráticos e tolerantes que conheço. Sentados ali, durante as refeições, falamos sobre tudo de maneira apaixonada. Futebol, política, religião e tudo mais que "não se discute". Não é uma conversa sóbria. Falamos alto, interrompemos aqueles que estão falando, tentamos ganhar no grito. Além disso, toda essa polêmica é temperada com muita "guerra" (palavra do nosso dialeto que significa zoeira). Se já não bastassem as divergências, os adjetivos durante os debates são: feio, careca, corno e mais outros que são impublicáveis. Mas sabe o que acontece ao final de tudo isso? Somos companheiros. Saímos rindo muito, leves e ansiosos para o próximo almoço, onde vamos recomeçar todas as discussões do dia anterior. Não sei dar um explicação para isso. Talvez seja o fato de termos trajetórias parecidas. Talvez seja o treinamento. Talvez seja ...

Odiando em nome do amor

Senhor, quer que mandemos descer fogo dos céus para os consumir?” (Lucas 9.54b) Essa frase foi dita a Jesus pelos discípulos Tiago e João quando uma vila de samaritanos recusou receber Jesus e seus companheiros que estavam a caminho de Jerusalém. Este episódio está registrado no Evangelho de Lucas, capítulo 9, dos versos 51 a 56. Temos três personagens, ou grupo de personagens, que precisam ser entendidos nesse texto: os samaritanos, Jesus e os discípulos Tiago e João. QUEM SÃO OS SAMARITANOS? Para entendermos a profunda rivalidade entre judeus e samaritanos, precisamos voltar alguns séculos na história de Israel. Os samaritanos são os remanescentes do reino do norte, Israel,cuja capital era Samaria, após a sua conquista pelo Império Assírio.   Este império tinha o costume de pulverizar os povos e culturas que conquistava miscigenando-os, transportando grupos de pessoas de um lado ao outro dos territórios dominados. Assim, os samaritanos são uma mistura de israelita...

Esperança, só esperança!

Hoje, um dos dias mais difíceis da minha vida, fui brindado com o testemunho de uma mulher muito simples. Uma mulher que, talvez, alguns não considerassem como digna de ser ouvida. Mas o testemunho dessa mulher foi profundo. E foi de encontro a um dilema vivido por mim nos últimos dias. Essa mulher contou como teve um encontro genuíno com Jesus somente depois de mais de trinta anos de uma frutífera e ativa vida na igreja. Ela contou como nasceu em uma família cristã. Como se casou com um varão e teve filhos que também eram criados na igreja. Contou como fazia parte do Coral e como evangelizava. E como seu evangelismo deu frutos. No entanto essa mulher, segundo seu próprio relato, ainda carregava um vazio. Ela ainda não experimentava o preenchimento que o relacionamento com Cristo traz à vida. Até que um dia ela ouviu o chamado do Mestre e foi convertida e salva, mesmo depois de mais de trinta anos de vida religiosa. Isso me fez pensar em quantas e quantas pessoas ainda não vivem ...

Amarás teu próximo como a ti mesmo

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” Mateus 22.36-40 A simplicidade dos ensinos de Jesus é desconcertante. Tão desconcertante, que o ser humano precisa de racionalizações, categorizações, teologizações e vários outros “ções” para tentar se esquivar da verdade de Cristo. Um bom exemplo é este texto. O ensino é simples. A aplicação é simples. Mas os resultados de sua aplicação são inimagináveis! “Amarás teu próximo como a ti mesmo” não demanda de seus leitores um grande conhecimento das línguas originais, dos costumes dos povos do oriente médio daquela época ou da influência da filosofia grega naquela cultura. Demanda empatia, o colocar-se no lugar do outro. Se eu esti...

Combatendo o bom combate?

Só agora assisti ao filme sobre a vida de Paulo, lançado em 2018. Excelente adaptação. Excelente produção. Recomendo a todos que assistam. E o texto que agora escrevo traz algumas reflexões que já andam por minha mente há bastante tempo, mas que tiveram um reforço após o filme, pois nele vemos uma realidade que não mudou com o tempo: o conflito dos valores da igreja de Cristo com os valores do mundo. Mesmo o tempo histórico sendo outro. Mesmo os desafios não sendo idênticos. Mesmo as opressões e violências contra o Evangelho sendo diferentes. Todos os princípios demonstrados no filme, os quais creio serem fiéis aos escritos bíblicos, são perfeitamente aplicáveis ao nosso contexto hoje. Vemos uma igreja incompreendida na sua mensagem, não só pelos “de fora”, mas também pelos “de dentro”. Uma igreja oprimida na sua liberdade de ter apenas Cristo como Senhor absoluto de sua vida. Uma igreja sendo morta por não ceder às exigências da cultura e do governo. E, finalmente, uma...

Centenas vão centado milhares vão em pé

Ando de trem todos os dias. Então, vejo a inscrição da foto várias vezes. Mas nunca deixo de me admirar com ela. Pela escrita, percebe-se que não é alguém letrado, mas não por isso, menos inteligente na sua observação. Sabe-se lá qual a intenção do autor, mas seu pensamento me fez refletir. Espero que me acompanhe nessa “viagem”. O que tem de mais na frase? Olhar para o trem e perceber que nele cabem muito mais pessoas em pé do que sentadas é um tanto óbvio. Então por que escrever um texto sobre isso? Acredito que uma obviedade não daria ao autor a inspiração de escrever o pensamento em letras garrafais no alto de um prédio ocupado, aparentemente, de maneira irregular, por pessoas sem teto. Acredito haver um grito, uma denúncia ou apenas uma triste constatação. Há um paralelo com a vida. Por que o trem foi feito dessa forma? Existiria um meio melhor de construí-lo? Quem se beneficia com esse formato? Qual o efeito que isso causa nos passageiros? O que fazer para...